ZAP FEDERAL: uma nova proposta para aproximar o eleitor do mandato parlamentar

Thomas Korontai propõe utilizar o WhatsApp como canal permanente de participação, consulta e prestação de contas

Por Rosemari Kalluf

A relação entre eleitor e representante não precisa terminar no momento em que a urna eletrônica registra o voto. Essa é a premissa de uma nova proposta apresentada pelo candidato a deputado federal Thomas Korontai: utilizar uma ferramenta cotidiana dos brasileiros, o WhatsApp, como instrumento de comunicação direta entre o parlamentar e a população.

Batizado de ZAP FEDERAL, o projeto pretende criar um canal permanente de relacionamento, permitindo que o cidadão acompanhe o trabalho parlamentar, participe de consultas sobre temas em discussão na Câmara dos Deputados e tenha acesso às informações sobre os votos e as posições assumidas pelo representante.

Segundo Korontai, “a ideia parte de uma constatação simples: embora o eleitor escolha um deputado nas eleições, durante o mandato muitas vezes não dispõe de um meio simples e acessível para acompanhar o que aquele parlamentar está fazendo em Brasília.” Ele lembra que antigamente, quando a comunicação era feita por cartas, alguns parlamentares até cumpriam esse papel parcialmente, enviando boletins periódicos para seus eleitores. Curiosamente, com o advento da internet, e com a degradação da política e o crescente desinteresse da população em relação à política, principalmente dos parlamentares, a comunicação se tornou mais impessoal, ou, por vezes, em comunicação polarizada nas redes sociais. Até porque, políticos passaram a ser vistos como “nada republicanos” pela população, mas há vários políticos bons e interessados em ajudar o Brasil e seus estados, afirma Thomas Korontai.

A proposta procura justamente reduzir essa distância. O conceito que acompanha o ZAP FEDERAL é resumido na frase “Você manda. Eu voto!”.

Imagem do verso do “santinho”

A expressão, no entanto, não pretende transformar a relação entre eleitor e deputado em uma obrigação jurídica de seguir automaticamente cada manifestação individual. A proposta é criar um mecanismo de participação e consulta, preservando a responsabilidade constitucional do parlamentar pelas decisões tomadas no exercício do mandato.

É justamente nesse espaço entre representação e participação que a iniciativa pretende atuar. O modelo apresentado por Korontai está estruturado em quatro compromissos:

Você acompanha.
Você opina como devo votar.
Eu voto com responsabilidade.
Eu presto contas.

Assim, a consulta ao eleitor não substituiria a responsabilidade do deputado. Funcionaria como uma forma adicional de ouvir a sociedade antes de decisões relevantes, sem eliminar a necessária independência e flexibilidade do exercício parlamentar.

Do Paraná para o Brasil

Embora Thomas Korontai seja candidato pelo Paraná, a proposta do ZAP FEDERAL não foi concebida como um canal exclusivamente paranaense. Como deputado federal, sua atuação ocorrerá no Congresso Nacional, onde são discutidos temas que afetam todos os brasileiros. Por isso, a intenção é que o canal possa receber manifestações de cidadãos de diferentes partes do país. “Por isso a frase de fechamento da campanha é do Paraná para o Brasil, pois um deputado feederal pode, além de buscar benefícios desta estrutura altamente centralizada para o seu estado, ajudar o País, já que o processo legislativo federal é impositivo para todo o País, destaca o Candidato.

Na prática, isso significa ampliar o conceito tradicional de representação: o eleitor que participa do canal não precisaria necessariamente limitar sua contribuição aos assuntos de seu município ou Estado. Poderia acompanhar projetos de lei, votações e decisões do Congresso que tenham repercussão nacional.

Por que o WhatsApp?

A escolha do WhatsApp tem uma razão prática: trata-se de uma ferramenta já incorporada ao cotidiano de grande parte da população brasileira. Em vez de exigir que o cidadão procure um novo aplicativo, cadastre-se em uma plataforma específica ou acompanhe um portal institucional, a proposta leva a comunicação para um ambiente que o usuário já conhece.

O formato também permite combinar diferentes possibilidades de comunicação: avisos, informações sobre a atividade parlamentar, consultas, recebimento de manifestações e divulgação de resultados.

A tecnologia, nesse caso, aparece menos como novidade e mais como ponte entre o cidadão e o mandato.

Um mandato que presta contas

Outro elemento central da proposta é a prestação de contas.

A ideia é que o eleitor possa não apenas saber como o parlamentar votou, mas também acompanhar os assuntos que estavam em discussão e conhecer as razões apresentadas para determinada posição. Esse aspecto procura transformar o voto parlamentar em algo mais transparente para o cidadão. Em vez de uma relação baseada exclusivamente na campanha eleitoral, o ZAP FEDERAL propõe uma relação continuada:

o eleitor acompanha, participa, manifesta sua opinião e depois verifica o que foi feito.

Esse conceito pode ser resumido por outra frase presente na proposta:

“O mandato não é um cheque em branco. É o seu.”

A frase é utilizada como conceito político de participação e responsabilidade, e não como uma procuração ou contrato jurídico entre eleitor e parlamentar. É o aspecto moral que busca redimensionaar a democracia brasileira.

Uma experiência de participação direta

A iniciativa também dialoga com uma questão recorrente nas eleições: a dificuldade de muitos eleitores em diferenciar candidatos e acompanhar concretamente aquilo que cada um pretende fazer depois de eleito. Nesse cenário, a proposta do ZAP FEDERAL procura colocar o relacionamento com o eleitor no centro da atividade parlamentar. Mais do que apresentar uma promessa de campanha, o projeto propõe um mecanismo de acompanhamento do mandato.

A participação poderá ocorrer antes de determinadas votações, mas também depois delas, por meio da divulgação dos resultados e da prestação de contas. O objetivo declarado é estabelecer uma rotina de comunicação que não dependa exclusivamente do período eleitoral.

Adesão voluntária e respeito às regras eleitorais

O ingresso no ZAP FEDERAL deverá ocorrer por iniciativa do próprio cidadão, por meio do QR Code disponibilizado nos materiais da campanha e nos canais oficiais. Essa distinção é importante: a tecnologia deve aproximar o cidadão da política sem transformar a comunicação em invasão de privacidade.

Uma experiência que poderá continuar depois da eleição

O aspecto mais significativo da proposta está justamente na possibilidade de continuidade. Agora implantado, o ZAP FEDERAL começa como uma ferramenta de comunicação durante a campanha, mas a proposta foi concebida para funcionar também durante o exercício do mandato.

A lógica é simples:

o eleitor não participa apenas para escolher. Participa também para acompanhar.

E, ao utilizar uma ferramenta de comunicação cotidiana para criar esse vínculo, a proposta busca experimentar uma forma diferente de relacionamento entre representante e representados. No lugar de uma comunicação que segue apenas de Brasília para o cidadão, a ideia é criar uma via de mão dupla.

Brasília informa. O cidadão participa. O parlamentar decide. E depois presta contas.

Essa é a experiência que Thomas Korontai pretende colocar em prática com o ZAP FEDERAL.

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Raimundo Silva

Jornalista e membro voluntário da Equipe de Redação da Liga Federalista Nacional

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